Nos últimos anos, o uso de canetas emagrecedoras tem ganhado cada vez mais adeptos. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 62% dos brasileiros conhecem alguém que faz ou já fez uso das canetas.
A prática divide especialistas quanto aos seus impactos na saúde. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), publicada na revista científica Obesity, afirma que o uso do medicamento sem indicação clínica pode impactar psicologicamente e ter outros efeitos na saúde, visto que faltam estudos que avaliem a segurança do paciente sem acompanhamento médico.
O presidente do Grupo de Trabalho de Halitose do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Mario Sergio Giorgi, explica que as canetas não afetam diretamente o hálito, mas podem favorecer a alteração do mesmo, causando halitose por mecanismos indiretos. “
Esses medicamentos podem provocar a alteração no fluxo salivar e a xerostomia (boca seca), o que pode causar alteração do hálito, visto que a medicação reduz a ingestão alimentar e de líquido”, esclarece o cirurgião-dentista.
O profissional relata que o uso da caneta favorece a boca seca e aumenta a saburra lingual, o que provoca a formação de compostos de enxofre. Em alguns pacientes, em consequência da redução calórica, podem ser produzidos os corpos cetônicos que deixam o hálito com odor. Mesmo com esse possível resultado, o Dr. Mário Sérgio afirma que a principal causa da halitose continua sendo a oral, pela saburra lingual e doença periodontal.
A presidente do Grupo de Trabalho de Saliva do CROSP, Dra. Débora Heller, explica que medicamentos como a semaglutida (caneta emagrecedora) têm sido associados a alterações salivares significativas, incluindo boca seca (xerostomia e hipossalivação), saliva espessa e espumosa e sensação de ardência na língua.
Dra. Débora ressalta que o cirurgião-dentista tem um papel fundamental na prevenção e manejo dos efeitos colaterais orais desses medicamentos. É importante que o paciente passe por um protocolo de avaliação salivar. A partir disso, o plano e o cuidado serão individualizados, o que inclui a educação do paciente, explicando os efeitos do medicamento na saliva e no hálito, orientação sobre hidratação e uso de estimulantes salivares naturais ou com xilitol, prescrição de dentifrícios com flúor e monitoramento periódico entre 3 e 6 meses.
A presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), Dra. Sandra Kirchmayer, também destacou que os cuidados com a saliva são necessários pois este paciente pode ter um risco maior de lesões de cárie visto que a saliva possui importante função de neutralizar ácidos ingeridos na alimentação, atuando como protetora do esmalte dental.
Um estudo publicado no Journal of the American Dental Association atribui a canetas emagrecedoras a halitose causada pela boca seca e a desidratação causada pelo medicamento.
Caso o paciente esteja em tratamento com as canetas emagrecedoras, a Associação recomenda acompanhamento regular com um cirurgião-dentista, preferencialmente com um profissional capacitado para lidar com alterações do hálito, da saliva e suas implicações na saúde bucal e sistêmica.
Fonte: https://crosp.org.br/noticia/canetas-emagrecedoras-e-os-efeitos-na-saude-bucal/








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