Neste domingo, 31 de maio, celebramos o Dia Mundial de Combate ao Câncer Bucal e o Dia Mundial Sem Tabaco. O secretário da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Yuri Kalinin, afirma que essas datas são essenciais para destacar os temas e ampliar o acesso da população à informação.
“O câncer de boca ainda é uma doença muito relacionada a fatores de risco evitáveis, especialmente ao tabagismo e ao consumo de álcool. Por isso, campanhas educativas ajudam a orientar as pessoas sobre prevenção, sinais de alerta e a importância de procurar atendimento odontológico diante de alterações persistentes na boca”
, explica o cirurgião-dentista.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública global, causando mais de 8 milhões de mortes evitáveis por ano.
Dr. Yuri explica que o Dia Mundial sem Tabaco desempenha um papel estratégico, visto que o tabagismo está associado a diversos tipos de câncer e outras doenças crônicas. De acordo com o profissional, a fumaça do cigarro contém substâncias que entram em contato direto com a mucosa da boca, podendo provocar alterações celulares e, como consequência, desenvolver lesões cancerígenas.
O câncer bucal também pode estar relacionado à exposição solar crônica, aumentando o risco de câncer de lábio, e à infecção por HPV, associada a alguns tumores de orofaringe.
Diagnóstico
Para o diagnóstico, o exame clínico realizado por um cirurgião-dentista deve observar alterações como feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou vermelhas, caroços, áreas endurecidas, dor persistente, sangramento sem causa aparente e dificuldade para mastigar, movimentar a língua ou engolir.
A Lei nº 13.896/2019, conhecida como Lei dos 30 dias, estabelece que exames necessários para confirmação diagnóstica de neoplasia maligna devem ser realizados em até 30 dias no âmbito do SUS.
“Quando existe suspeita clínica de câncer bucal, o diagnóstico definitivo é realizado por meio de biópsia, procedimento em que se remove um pequeno fragmento da lesão para análise anatomopatológica. Esse exame permite confirmar ou excluir a presença de neoplasia maligna e definir o tipo histológico da lesão”
, esclarece o secretário da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP.
Tratamento
O cirurgião-dentista acrescenta que, após a confirmação diagnóstica, o tratamento dependerá do tipo de tumor e das condições clínicas do paciente, podendo envolver cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, conforme indicação de equipe médica especializada.
Além disso, a Lei nº 12.732/2012, conhecida como Lei dos 60 dias, prevê que o paciente com neoplasia maligna comprovada tem direito de iniciar o primeiro tratamento no SUS em até 60 dias, contados a partir da confirmação do diagnóstico.
Dr. Yuri destaca que, no câncer bucal, é fundamental que a rede de saúde esteja organizada para garantir que o paciente tenha acesso oportuno à biópsia, ao laudo anatomopatológico e ao tratamento oncológico adequado.
“O tempo entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento é decisivo para melhorar o prognóstico, reduzir sequelas e aumentar as chances de sucesso terapêutico, reforça.
Cigarro eletrônico
Uma pesquisa publicada na revista científica Carcinogenesis em 2026 avaliou os impactos biológicos do uso de cigarros eletrônicos. O estudo reforça que a exposição aos aerossóis desses dispositivos pode causar alterações celulares relacionadas à carcinogênese.
Os cigarros eletrônicos podem conter nicotina, solventes, aromatizantes, metais e outros compostos tóxicos, provocando inflamação, alterações celulares, desequilíbrio da microbiota oral e possíveis danos ao DNA.
Papel do cirurgião-dentista
Segundo o Dr. Yuri, o cirurgião-dentista tem papel fundamental na detecção precoce da doença porque examina diretamente a cavidade bucal e pode identificar alterações suspeitas ainda nas fases iniciais. “Durante uma consulta odontológica, não se avaliam apenas dentes e gengivas; também devem ser observados língua, assoalho da boca, bochechas, palato, lábios e demais estruturas”, diz. O profissional ressalta que o cirurgião-dentista também tem um papel educativo, pois pode orientar sobre os riscos do tabaco, álcool e cigarro eletrônico, estimular a cessação do tabagismo, encaminhar o paciente para programas de apoio e, quando necessário, realizar ou solicitar biópsia e encaminhamento para serviços especializados.
Saúde Pública
O Brasil possui o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, coordenado pelo INCA, com o objetivo de reduzir a prevalência de fumantes e a morbimortalidade relacionada ao consumo de produtos derivados do tabaco.
O secretário da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP afirma que, do ponto de vista da saúde pública, o tabagismo deve ser enfrentado como um problema coletivo, não apenas individual. Para o especialista, ele aumenta a carga de doenças cardiovasculares, respiratórias, vários tipos de câncer e gera impacto importante sobre o SUS.
Ambientes livres de fumaça, regulação da propaganda, aumento de impostos, advertências sanitárias, educação em saúde e oferta de tratamento para quem deseja parar de fumar são atitudes importantes para o combate, afirma o profissional.
“O câncer de boca é uma doença que pode ser prevenida em muitos casos e que tem melhores chances de tratamento quando diagnosticada cedo. Por isso, é essencial evitar o tabaco em todas as suas formas, incluindo cigarros convencionais e eletrônicos, e reduzir o consumo de álcool. Parar de fumar não deve ser visto como simples “força de vontade”; a dependência de nicotina é uma condição que pode precisar de cuidado estruturado, apoio e tratamento”, finaliza o cirurgião-dentista.









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