Além de salvar vidas nos hospitais, o sangue agora é utilizado nos consultórios odontológicos para acelerar a cicatrização e reduzir a dor em cirurgias. Especialista do CROSP explica a técnica.
Com a aproximação do Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, as campanhas de conscientização voltam os holofotes para a importância vital das transfusões nos hospitais. No entanto, a ciência médica avançou a ponto de transformar o nosso próprio sangue em um poderoso “remédio natural” também dentro dos consultórios odontológicos.
Na Odontologia moderna, a utilização de concentrados plaquetários revolucionou a forma como os cirurgiões-dentistas lidam com extrações, implantes e harmonização orofacial. Para detalhar esse processo, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) conversou com o Dr. Roberto Puertas, presidente do Grupo de Trabalho de Concentrados Plaquetários da Autarquia.
“As pessoas estão acostumadas a enxergar o sangue apenas como um indicativo de saúde nos exames laboratoriais. Porém, nele encontramos estruturas que sinalizam a nossa cicatrização”, explica o especialista.
A biologia a favor da recuperação
O mecanismo, embora altamente tecnológico, baseia-se na própria biologia humana. O Dr. Puertas detalha que as plaquetas, tradicionalmente conhecidas por controlar o sangramento e a coagulação, possuem grânulos repletos de proteínas. “Esses sinalizadores são chamados de fatores de crescimento e iniciam uma cascata de eventos em prol da regeneração dos tecidos”.
Logo a ciência odontológica percebeu que, além das plaquetas, os glóbulos brancos (leucócitos) eram aliados fundamentais por controlarem as respostas imunológicas. “Tudo que está inflamado não cicatriza. Portanto, hoje a Odontologia utiliza corriqueiramente esses concentrados de plaquetas e leucócitos, juntamente com a fibrina sanguínea, nas cirurgias bucais”, pontua.
Procedimento simples e sem complicações
Para o paciente, a técnica é indolor, semelhante a um exame de laboratório tradicional, o cirurgião-dentista realiza uma punção venosa na própria cadeira odontológica. São coletados, em média, de seis a oito pequenos tubos (cerca de 70 ml de sangue).
Esse material vai imediatamente para uma centrífuga portátil no próprio consultório. “Em 15 minutos, o material já está pronto para ser utilizado em feridas, dentro dos locais onde foram feitas extrações dentárias, incorporado a biomateriais de enxerto ósseo e, atualmente, até a Harmonização Orofacial se beneficia com o uso desses concentrados”, detalha o Dr. Puertas.
O resultado é o fim do sofrimento no pós-operatório. A atuação das plaquetas e dos leucócitos modula a inflamação de forma tão eficiente que a fase de recuperação se torna muito mais curta, diminuindo drasticamente o inchaço, a dor e a necessidade de prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios.
Segurança e regulamentação
Apesar de alguns pacientes ainda se surpreenderem ao ver o dentista realizando coleta de sangue, o procedimento é rigorosamente regulamentado. Os concentrados já são utilizados na área desde os anos 2000 e, desde 2015, os órgãos reguladores autorizam o cirurgião-dentista a realizar a venopunção no consultório, desde que o profissional possua treinamento específico.
Uma corrente de vida
Se na cadeira do dentista o sangue do paciente atua para curar a própria dor, nos hemocentros ele é a única esperança para quem luta pela sobrevivência. Aproveitando a data simbólica, o Dr. Roberto Puertas deixa uma mensagem de incentivo à categoria e à sociedade.
“Sangue é vida. Ele nos auxilia em diagnósticos, nos ajuda a regenerar o próprio corpo e, em uma atitude mais nobre, auxilia o próximo a recuperar a sua vida. Doar sangue é mais que um processo ou um remédio; é uma atitude de amor a quem luta pela vida. Estenda o braço! Cada gota conta uma nova história”, finaliza o especialista.






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